terça-feira, março 06, 2007

TEORIA DOS CONTRÁRIOS


A noite dá lugar ao dia e o dia caminha para a noite. A noite não pode, ao mesmo tempo, ser dia.

Em Fédon, pelas palavras de Sócrates e pela mão de Platão, a Teoria dos Contrários constitui-se argumento em duas das quatro provas de imortalidade da alma. A dimensão temporal apresenta-se como denominador comum, na medida em que se verifica que todo o contrário surge do seu contrário, mas também que os contrários não admitem simultaneidade.

Dizer que o frio nasce do quente, parte da observação de que algo arrefece (outrora aqueceu) à medida que o tempo passa. Torna-se então evidente que num preciso momento de intervenção (em que teoricamente o tempo fica suspenso) constatar-se-á que o ser quente exclui o ser frio. O tempo parece ser a causa e medida de tudo.

Mas apesar da exclusão de coexistência de contrários, percebe-se a presença atemporal de um “fio condutor”, de uma substância ou essência que interliga os contrários.