sexta-feira, janeiro 19, 2007

FELIZ TRISTEZA

A tristeza não existe; existe sim ausência da felicidade. Se adoptarmos esta interpretação toda a utopia estará mais perto de deixar de o ser. Encarar as adversidades que naturalmente surgem entre nós poderá resultar numa tarefa menos penosa.

Quando estamos tristes significa que a felicidade está ausente em nós, apenas temos de encontrá-la novamente pois ela não deixou de existir, apenas ”mudou de sítio”.
Procuramos, inquietamo-nos, estamos em constante actividade pelo facto de estarmos tristes, nunca por estarmos felizes.

A tristeza oculta e representa, ao mesmo tempo, um estado fértil de inspiração, criação e superação, além de permitir o reconhecimento do quanto é precioso sentirmos a felicidade.
Perante esta conjuntura, a inevitável tristeza apresenta-se como condição necessária para o alcance da felicidade.

Importa, porém, salientar que muitas das vezes somos nós próprios que oportunamente escolhemos o momento de sucumbir à tristeza. Se assim procedemos, talvez a tristeza não seja um estado tão predominantemente negativo; chamemos-lhe então ausência de felicidade.