sexta-feira, dezembro 09, 2005

GUITARRA PORTUGUESA













A desmistificação da guitarra portuguesa passa pelo aproximar às “hostes terrenas” da sua real presença física e material, e não de um espectro de si mesma que tem proliferado desde o seu nascimento originando um mundo paralelo, arredado e sem pontos de contacto com o comum dos mortais.

Este instrumento tem estado desde sempre envolto numa áurea de mistério em que os conhecimentos se passavam por via oral apenas a alguns, contribuindo para que ficasse a imagem de algo extremamente erudito e inacessível.
Todo este cenário passado e ainda presente reflecte o estado actual de escassez ou inexistência de qualquer tipo de registo escrito de material técnico e partituras para guitarra portuguesa.

De facto a guitarra portuguesa é impar na sua sonoridade e forma de tocar, devendo por essa razão ser dada a conhecer estando ao alcance de todos, pois faz parte das nossas raízes enquanto portugueses.

A guitarra portuguesa é um instrumento versátil com amplas possibilidades para poder trilhar o seu próprio caminho, saindo um pouco da “tradicional sombra” do Fado.

sexta-feira, novembro 18, 2005

BREVE HISTÓRIA DAS ARTES MARCIAIS

Egipto (cerca de 4000 A. C.)
Primeiras formas estruturadas de combate com mãos nuas.
Formas primitivas de Boxe e Wrestling.

Grécia (cerca de 648 A. C.)
Jogos Olímpicos; introdução do Pankration (Pancrácio), estilo de luta que combinava Boxe, Wrestling e “Skiamachia” (movimentos sem oponente).

Índia (cerca de 2600 A. C.)
Estilos de luta que incluíam formas de dança e expressão corporal (“Nata”, “Vajramushti”).
Aparecimento do Budismo; Religião e Artes Marciais interligadas (Yoga, “Kalaripayat”).


China (cerca de 520 A. C.)
Bodhidharma chega ao Templo de Shaolin e ensina Budismo e meditação aos monges locais.
Florescimento das Artes Marciais; Kempo, Chuan Fa (movimentos baseados na observação dos comportamentos dos animais).

Coreia (cerca de 57 A. C.)
Período dos três reinos. No reino de Silla é criada a ordem dos Hwa Rang.
Desenvolvimento das Artes Marciais, especialização dos pontapés em salto.
A doutrina Budista está presente na conduta guerreira dos Hwa Rang.

Japão (cerca de 23 A. C.)
Aparecimento do Jiujitsu.
Domínio da classe de guerreiros Samurais até 1868 D. C.
Budismo Zen intimamente ligado às Artes Marciais.

Ocidente (cerca de 1950 D. C.)
Contacto das artes marciais com o ocidente, principalmente por soldados norte-americanos estacionados na Coreia.
Movimento migratório de orientais para os EUA, que assim expandiram e difundiram as artes marciais.
Pedagogia das artes marciais com aproximação ao conceito de desporto; Judo, Kickboxing, Full-contact.


Foto retirada da revista "Budo nº 100"

quinta-feira, novembro 03, 2005

MOVIMENTO PERPÉTUO

«Coração de mar e vento que aos corações lanças redes, és perpétuo movimento na guitarra de Paredes».
Foi ao som destas palavras expelidas do mais profundo sentimento da alma de Mísia que me interroguei acerca do movimento perpétuo.

Sendo o Universo um “macro sistema isolado”, quando e onde surgiu o primeiro impulso gerador de todo o movimento? Qual a fonte de energia exterior que está na causa de tudo o que existe?

O movimento perpétuo deve existir por si só, autonomamente, a energia não nasce (de dentro), ela sempre existiu e esteve presente sem diminuir nem aumentar e nunca dissipar-se-á.

Na inevitável fusão da guitarra com o seu mestre parece viver o indivisível sistema isolado, o retrato perfeito do perpétuo movimento; e ele, Carlos Paredes, sabia-o.

quarta-feira, outubro 26, 2005

O PRIMEIRO PRINCÍPIO

Mais uma jornada matinal rumo à Taverna contemplando em meu redor a verdadeira essência da vida.

Entre ruídos, aromas e cores da natureza algo prende a minha atenção, não pela evidência mas sim pela harmoniosa simbiose com o meio do qual faz parte, sendo parte do todo. É quase sobrenatural mas ao mesmo tempo de uma simplicidade terrena, a beleza dos movimentos descritos pela sua mestria. Biomecânica perfeita, economia de esforço ajustada e conexão energética traduzem o mais alto grau de iluminação.

É impossível descrever por palavras esta experiência que vai para além da simples observação, no momento em que tentar proferir uma frase explicativa estarei mentindo. As palavras advêm de um processo de intelectualização na presença da mente, enquanto o instante em que fluiu no “vazio” está para além da mente, insere-se na ausência da mesma.

A palavra é um eco longínquo da experiência concretizada.


Foto retirada da revista “Ceinture Noire, Hors – Série nº7”.

sexta-feira, setembro 16, 2005

TAVERNA VADIA

Na Taverna, saúdam-se os visitantes com uma dose de fado entremeada com as cordas de um virtuoso violino.

Sirva-se a embriaguez sonora.

A acompanhar com caldo tinto e vinho verde.

NOSTÁLGICA MADRUGADA



Mal as portas da Taverna se abriram, ainda em plena madrugada, eis que alguém surge para cumprir o seu rito diário num gesto único e incontornável designado pela casta ancestral por: “matar o bicho”.

Esta presenciada experiência fica para sempre registada na retina dos mais atentos.

sexta-feira, setembro 09, 2005

SAI UM JARRO DE TINTO

À saúde!

Os taberneiros convidam os ilustres visitantes para um copo.

É carrascão, mas é de graça!

GRANDE ABERTURA NA ALDEIA

Na Grande Aldeia, a azáfama é notória. A Taverna escancara pela primeira vez as suas portas. As mesas chegaram directamente da serração e os bancos corridos já estavam à sua espera.

Os copos estão lavados. É melhor aproveitar, porque depois o vinho fica entranhado e o que hoje é cristalino amanhã já é opaco.

Os taberneiros serão anfitriões da melhor casta, quais alvarinhos do mundo primaveril das tascas. Haja chuva, porque o vinho espera pelo inverno e o sol já é de outono, apesar de estarmos ainda no verão.

Bem hajam!

[OS TABERNEIROS]